SEGURANÇA ALIMENTAR_Responsável Temático

03 maio 2018
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Author :   César P. Augusto
CÉSAR AUGUSTO: Licenciado em Engenharia Mecânica pelo IST. Larga Experiencia como Diretor de Manutenção na Indústria Alimentar. Vogal do Conselho Editorial da Revista Segurança Comportamental

CÉSAR PETRÓNIO AUGUSTO (Larga Experiência como Diretor de Manutenção na Indústria Alimentar. Engenheiro Mecânico pelo Instituto Superior Técnico. Vogal do Conselho Editorial da Revista Segurança Comportamental.)

Parece unânime a análise da evolução nacional em termos de Segurança Alimentar. Se há alguns anos atrás, a necessidade de melhorar nesta área era colocada em segundo plano e os progressos alcançados eram lentos e conseguidos, quase sempre, através do “motor da fiscalização”, a verdade é que hoje todos nos sentimos mais seguros e satisfeitos em consumir alimentos que são produzidos, confecionados e disponibilizados ao consumo em Portugal.

O consumidor português está hoje mais informado, exigente e é um parceiro fundamental na evolução da nossa cultura de “Food Safety”, reportando o que considera menos bem e premiando os bons exemplos. Os desafios e as ameaças serão diferentes para Portugal, União Europeia e América do Norte e para os países em vias de desenvolvimento, mas, em maior ou menor grau, a par do objetivo “Food Safety”, passam obrigatoriamente pela “Food Security” e “Food Defense”.
Para um tema tão relevante, a Revista Segurança Comportamental convidou para este debate um conjunto de especialistas, representantes dos stakeholders do sector: académicos, industriais, autoridades públicas e associações de defesa do consumidor. Temos como objetivo divulgar as suas opiniões do atual estado do país e do mundo nestas temáticas, bem como refletir sobre oportunidades e ameaças.
Embora com a noção clara de que não podemos reduzir a velocidade e sair deste percurso de melhoria contínua, é opinião unânime entre os nossos convidados entrevistados, que o panorama português é bom no que respeita à “Food Safety”, e, arrisco até afirmar, melhor do que o panorama em muitos outros nossos parceiros europeus.

“Se há alguns anos atrás, a necessidade de melhorar nesta área era colocada em segundo plano e os progressos alcançados eram lentos e conseguidos, quase sempre, através do “motor da fiscalização”, a verdade é que hoje todos nos sentimos mais seguros e satisfeitos em consumir alimentos que são produzidos, confecionados e disponibilizados ao consumo no nosso país.”

Ana Cristina Tapadinhas, Diretora-Geral da Deco, destaca a evolução das preocupações em termos de Segurança Alimentar. Se há uns anos as preocupações residiam sobretudo no estado básico de higiene dos alimentos, hoje as preocupações evoluíram para temas como os contaminantes químicos e biológicos, os valores nutricionais, a clonagem, manipulação genética e a fraude nos alimentos. A nível global destaca a chocante contradição que no mundo uma em cada oito pessoas sobre carências alimentares, enquanto 1/3 dos alimentos são desperdiçados, referindo como ameaças à disponibilidade de alimentos às populações, as alterações climáticas, as guerras e as instabilidades económicas locais. Refere a necessidade da correta informação ao consumidor, uma vez que os consumidores são cada vez mais bombardeados com ações de marketing de produtos aparentemente saudáveis e que na realidade poderão não o ser. Sublinha que a direção a seguir será a de continuarmos a aposta na maior literacia do consumidor, para que este continue a ser cada mais interventivo, conseguindo fazer as melhores escolhas.
Pedro Portugal Gaspar, Inspetor-Geral da ASAE, destaca o drama dos consumidores europeus desperdiçarem 88 toneladas de alimentos por ano, enquanto que 2/3 da população mundial sofre de carências alimentares. Outra das grandes ameaças prende-se com a utilização de pesticidas, a poluição das reservas hídricas, o abandono da agricultura, questões que têm abordagens diferentes consoante o grau de desenvolvimento e exigência legislativa do país produtor, no qual a União Europeia poderá assumir um papel crucial na harmonização de boas práticas com os países em vias de desenvolvimento. Salienta o esforço governamental na aposta na educação de crianças, de jovens e da população em geral, nomeadamente para a redução do desperdício alimentar.

“O consumidor português está hoje mais informado, exigente e é um parceiro fundamental na evolução da nossa cultura de “Food Safety”, reportando o que considera menos bem e premiando os bons exemplos. Os desafios e as ameaças serão diferentes para Portugal, União Europeia e América do Norte e para os países em vias de desenvolvimento, mas, em maior ou menor grau, a par do objectivo “Food Safety”, passam obrigatoriamente pela “Food Security” e “Food Defense”.”

Pedro Queiroz, Diretor-Geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares, afirma que Portugal, a par da Europa, é dos locais mais seguros para se consumir alimentos, tendo o país se adaptado muito bem às novas exigências de qualidade e segurança alimentar. Para tal foi fundamental o fator humano nas empresas do setor, com uma cada vez maior consciência para o tema por parte dos trabalhadores. Em relação ao acesso individual à alimentação (Food Security), o entrevistado salienta o risco da dependência externa, com o associado risco de rotura nas cadeias de logística, dando o exemplo de paralisações nos setores rodoviário e de transporte marítimo. Partilha connosco que os empresários portugueses mostram interesse para investimentos na área da segurança alimentar, por a considerarem como um dos fatores de produção mais importantes, contribuindo diretamente para a reputação das empresas e das suas marcas.
Para Jorge Saraiva, investigador do departamento de química da Universidade de Aveiro e coordenador da Plataforma Tecnológica Alta Pressão, diz que é crucial o reforço da pedagogia do Estado em paralelo com as atividades de fiscalização e a necessidade de um maior investimento em formação por parte das empresas. O grande desafio global que se apresenta em termos de Segurança Alimentar é o de conseguirmos uniformizar todo um conjunto de legislação, boas práticas e procedimentos internacionais, de modo a que sistemas com diferentes níveis de exigência, em países que deviam ter padrões semelhantes, possam ter resultados finais semelhantes.
A melhoria do desempenho nacional em matéria de Segurança Alimentar passa por todos nós, como cidadãos, profissionais e consumidores, na necessidade de estarmos mais informados sobre os alimentos que compramos, do intervir perante situações não conformes, de exigirmos os requisitos que consideramos indispensáveis e também o elogiar quando reconhecemos um bom exemplo de prática de qualidade alimentar e, por que não, também a valorização da marca “Feito em Portugal”.

“Por mais investimento em novas tecnologias, processos de fabrico, novas regras e procedimentos, no final acreditamos ser sempre o fator humano, que tem o efeito diferenciador para o nosso objetivo de potenciar a Segurança Alimentar, sendo necessário insistir nesta crescente consciencialização e colaboração de todos os intervenientes, para a qual queremos contribuir.”

Considero que a “Food Defense” foi ainda pouco abordada, seguramente pelo tema sensível que é. Não nos podemos esquecer do mundo global em que vivemos, com o crescimento de atos de sabotagem e de terrorismo e da facilidade com que alguém mal-intencionado pode interferir nas nossas cadeias de produção e distribuição alimentar, colocando-nos em perigo. É um tema onde já assistimos à intervenção das grandes multinacionais e onde todos devemos estar bem informados e contribuir para um debate sério.
Em termos de “Food Security” será fulcral refletirmos no nosso desperdício alimentar e no que podemos fazer para contribuir para uma mais efetiva distribuição alimentar.
Para finalizar, a Revista Segurança Comportamental não pode deixar de sublinhar o Fator Humano. Por mais investimento em novas tecnologias, processos de fabrico, novas regras e procedimentos, no final acreditamos ser sempre o fator humano, que tem o efeito diferenciador para o nosso objetivo de potenciar a Segurança Alimentar, sendo necessário insistir nesta crescente consciencialização e colaboração de todos os intervenientes, para a qual queremos contribuir.
Em resumo, uma mão cheia de temas muito interessantes, ou não fosse estarmos a falar da nossa alimentação, apresentados por prestigiados representantes de vários players do setor, para conhecer neste nosso caderno temático.

 

 

Segurança Comportamental

A revista Segurança Comportamental é uma revista técnico-científica, com carácter independente, sendo a única revista em Portugal especializada em comportamentos de segurança.

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